Mar de Angra

Abril 27, 2009

Semana passada fiquei chocado com esta notícia sobre a morte de um mergulhador:  leia aqui a notícia.  Meus sinceros pêsames à família.  Não existem palavras para definir a dor causada por um acidente tão brutal, com alguem tão jovem.

Como conheço bem o mar de Angra dos Reis, e principalmente aquele trecho onde o acidente aconteceu, gostaria de fazer algumas observações sobre a navegação naquela região e sobre a terrível morte de Philipe Barros.

Temos casa no Frade a 18 anos, e meu pai navega nestas águas a mais tempo do que isso.  Eu desde os 18 de idade tenho carteira e também navego por aquele paraíso. 

As regras de navegação são claras e muito práticas e objetivas, e quando seguidas dão boa margem de segurança a navegadores, motonautas, banhistas, etc.  Infelizmente o que ocorre é que muitas das pessoas que navegam hoje desconhecem ou ignoram muitas destas regras.

No feriado deste último final de semana, ao curtir o sol nas praias da região, participei de 2 situações de extrema imprudência por parte de nevegantes:

1 – Ao navegar próximo à Ilha do Itanhangá (próxima do local do acidente com o mergulhador), um outra lancha cruzando comigo, ignorou completamente a preferência – que era minha.  O RIPEAM (Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar) pode ser visto aqui.  O marinheiro da lancha passou por mim de forma totalmente irresponsável, me obrigando a manobrar quando na verdade a preferência era minha.

2 – Uma outra situação ainda mais absurda aconteceu na volta, quando meu pai me econtrou no caminho de volta da praia, ele de bote e eu de lancha.  Trocamos de embarcação porque ele iria pescar com a lancha, e eu então voltei para casa de bote.  Na altura da ponta da Ilha da Cunhambebe fui ultrapassado por uma lancha Intermarine 600 (de 60 pés) que navegava a toda velocidade.  O marinheiro ignorou completamente o bom senso, e as dificuldades que as ondulações produzidas pela mega-lancha produziram a poucos metros do meu bote.

Bom, mas o que quero dizer com tudo isso?

Que o mar de Angra está simplesmente uma bagunça!  E não é de hoje.  A capitania, ao invés de ficar fazendo operações onde verifica documentos de lanchas, deveria fiscalizar a navegação em si.  São dezenas de marinheiros navegando errado, ignorando as regras do RIPEAM, atracando de forma errada ou irregular na praias e dando sua colaboração para a bagunça que é aquele trecho de mar.

E finalmente com relação ao acidente com o mergulhador, é preciso que se verifique as circunstâncias do acidente.  Mergulhadores não podem mergulhar em solitário.  Philipe Barros respeitou esta regra?  Estava com sinalização apropriada na superfície, indicando presença de mergulhador?  O marinheiro da embarcação envolvida no acidente estava em com a embarcação regularizada?  Navegava de forma prudente?  São estas coisas que devem ser verificadas.

Atenção marinheiros e proprietãrios de embarcações:  as regras existem para serem seguidas, proporcionando mais segurança a TODOS.  Vamos respeitar!

E atenção Capitania do Portos:  ficar olhando documentos só não adianta.  Vamos acabar com a farra dos Jet Skis na beira das praias, vamos colocar na linha quem navega errado.