Sobre Falar e Calar

Outubro 1, 2009

A alguns anos atrás um grande amigo me chamou para ir com ele a uma reunião de Xamanismo.  O que acontece é que por eu ser ateu, muitos amigos e conhecidos me chamam para participar de “coisas” no intuito de convencer de alguma coisa.   Eu nunca nego, claro, como bom amigo que sou.

Pois bem, fomos eu e ele na reunião de Xamanismo, e tudo aconteceu numa boa, adorei.  O que me chamou atenção  foi uma certa pena de águia que passava de mão em mão por lá.  Estavamos todos sentados formando um círculo, e quando alguém queria dizer alguma coisa, pedia a pena, a pena era passada até este alguém e quando pena chegava à sua mão, dizia o que tinha que dizer.  Idéia simples, e sensacional.

Ao final da reunião, o Mestre Xaman, viu que ali haviam pessoas novas e explicou brevemente a idéia daquela pena.

A idéia básica é que apenas uma pessoa deve falar por vez.  Mais de uma pessoa falando por vez, vira baderna, sempre.  A questão é que quando tem alguém falando os outros devem ouvir, e apenas ouvir.  Falar sem ser interrompido e ouvir sem interromper também traz muitas vantagens, tanto para quem fala quanto para quem ouve.  Porque é possível para quem fala concluir sua argumentacão e para quem ouve é mais fácil argumentar depois.

O Xamã continuou, explicando que muitas vezes, pessoas que não tem o que falar, falam.  Falam simplesmente por impulso, tomando a atenção de quem ouve (por nada), e a vez de quem eventualmente poderia estar dizendo alguma coisa útil.

Por isso a pena da águia, que além de organizar a bagunça, ainda tem uma função educativa.  Adorei isso.

No nosso dia-a-dia, vemos muitas situações em que as pessoas falam por falar, alugam o ouvido de quem está perto sem ter nada pra acrescentar, e não raro acabam falando bobagens e até se comprometendo.  Me chamou atenção nesse sentido uma notícia recente em que o Rapper Kanye West, durante uma entrega de prêmios doVMA (o principal prêmio da música internacional), tomou o microfone da mão da cantora Taylor Swift, e falou um monte de bobagens.  Grosseiro, sem educação e inconsequente.  Foi criticado até pelo Presidente Barack Obama.

Por isso, quando você for falar alguma coisa, pense uns 5 segundos antes, e se vir alguém falando abobrinhas e alugando seu ouvido, conte para a pessoa esta história da pena do Xamã.

Crime e Castigo

Setembro 24, 2009

Hildebrando Pascoal, ex-deputado conhecido por torturar e matar usando uma motoserra em setembro de 1996, foi finalmente jugado e condenado.

18 anos prisão foi a pena dada pelo juiz Leandro Gross.

Pergunto: se a pena máxima no Brasil é de 32 anos, e um sujeito que mata um homem com tiros na cabeça após sessão de tortura em que a vítima teve os olhos perfurados, pernas, braços e pênis amputados com uma motosserra, além de ter um prego cravado na cabeça pega 18 anos…  O que é preciso um criminoso fazer para alcançar os 32?

Veja a notícia completa aqui

As Moedinhas!

Julho 27, 2009

Ah, o brasileiro… que povo maravilhoso!

Passando muito mal no último final de semana, fui ao Hospital Copa D’or.  Lá você não estaciona o seu carro, lá eles estacionam seu carro para você, tudo muito bacana e prático – e caro também.  Mas quem vai se importar com isso com uma inflamação no intestino?  Deixei meu carrinho lá com o manobrista e fui resolver meu problema.

Quando voltei e recebi meu carrinho de volta, a pequena surpresa: êpa, onde estão minhas moedinhas?!  Sim, pegaram minhas moedinhas!  Eu tenho o hábito de deixar algumas moedinhas em cima do console do carro, coisa pouca, não devia chegar a uns 5 reais.  Mas eram minhas!

Agora veja você, o sujeito está trabalhando, pega meu carro para manobrar e mete a mão nas minhas moedinhas.  Provavelmente este mesmo sujeito quando assiste o noticiário também reclama da corrupção no senado e na câmara.  Reclama que o pessoal de lá está metendo a mão nas “moedinhas” dele.

Se eu reclamei?  Não, já desisti desta zorra que chamam de país.

Ah, o brasileiro… que povo maravilhoso!

Mar de Angra

Abril 27, 2009

Semana passada fiquei chocado com esta notícia sobre a morte de um mergulhador:  leia aqui a notícia.  Meus sinceros pêsames à família.  Não existem palavras para definir a dor causada por um acidente tão brutal, com alguem tão jovem.

Como conheço bem o mar de Angra dos Reis, e principalmente aquele trecho onde o acidente aconteceu, gostaria de fazer algumas observações sobre a navegação naquela região e sobre a terrível morte de Philipe Barros.

Temos casa no Frade a 18 anos, e meu pai navega nestas águas a mais tempo do que isso.  Eu desde os 18 de idade tenho carteira e também navego por aquele paraíso. 

As regras de navegação são claras e muito práticas e objetivas, e quando seguidas dão boa margem de segurança a navegadores, motonautas, banhistas, etc.  Infelizmente o que ocorre é que muitas das pessoas que navegam hoje desconhecem ou ignoram muitas destas regras.

No feriado deste último final de semana, ao curtir o sol nas praias da região, participei de 2 situações de extrema imprudência por parte de nevegantes:

1 – Ao navegar próximo à Ilha do Itanhangá (próxima do local do acidente com o mergulhador), um outra lancha cruzando comigo, ignorou completamente a preferência – que era minha.  O RIPEAM (Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar) pode ser visto aqui.  O marinheiro da lancha passou por mim de forma totalmente irresponsável, me obrigando a manobrar quando na verdade a preferência era minha.

2 – Uma outra situação ainda mais absurda aconteceu na volta, quando meu pai me econtrou no caminho de volta da praia, ele de bote e eu de lancha.  Trocamos de embarcação porque ele iria pescar com a lancha, e eu então voltei para casa de bote.  Na altura da ponta da Ilha da Cunhambebe fui ultrapassado por uma lancha Intermarine 600 (de 60 pés) que navegava a toda velocidade.  O marinheiro ignorou completamente o bom senso, e as dificuldades que as ondulações produzidas pela mega-lancha produziram a poucos metros do meu bote.

Bom, mas o que quero dizer com tudo isso?

Que o mar de Angra está simplesmente uma bagunça!  E não é de hoje.  A capitania, ao invés de ficar fazendo operações onde verifica documentos de lanchas, deveria fiscalizar a navegação em si.  São dezenas de marinheiros navegando errado, ignorando as regras do RIPEAM, atracando de forma errada ou irregular na praias e dando sua colaboração para a bagunça que é aquele trecho de mar.

E finalmente com relação ao acidente com o mergulhador, é preciso que se verifique as circunstâncias do acidente.  Mergulhadores não podem mergulhar em solitário.  Philipe Barros respeitou esta regra?  Estava com sinalização apropriada na superfície, indicando presença de mergulhador?  O marinheiro da embarcação envolvida no acidente estava em com a embarcação regularizada?  Navegava de forma prudente?  São estas coisas que devem ser verificadas.

Atenção marinheiros e proprietãrios de embarcações:  as regras existem para serem seguidas, proporcionando mais segurança a TODOS.  Vamos respeitar!

E atenção Capitania do Portos:  ficar olhando documentos só não adianta.  Vamos acabar com a farra dos Jet Skis na beira das praias, vamos colocar na linha quem navega errado.

O Centro do Rio

Fevereiro 28, 2008

Trabalhar no centro do Rio é interessante. Tem o lado ruim do tumulto, camelôs tomando as calçadas, pequenos assaltos aqui e ali, e é claro: barulho, muito barulho.

Mas tem uma lado bacana, que é a própria arquitetura do centro, com suas fachadas antigas contrastando com alguns edifícios moderníssimos. Acho bacana isso.

Aqui uma foto tirada da janela de onde eu trabalho, a vista é do Largo da Carioca.

Largo da Carioca

Excesso de poder

Fevereiro 11, 2008

Muito se discute aqui no Rio sobre a atuação da policia, sobre policiais bons e maus, sobre os honestos e os desonestos. Muitos defendem a atuação da Policia de maneira severa contra os bandidos, defendem inclusive os excessos, que teoricamente quando cometidos contra bandidos, estão plenamente justificados – eu mesmo já argumentei a favor disso.

Mas devemos sempre nos lembrar que quando alguem tem poder ilimitado, quando é livre para julgar, e esolher se vai matar ou deixar viver, esta pessoa como todo ser humano é passível de erros. E se hoje ele está matando um bandido e está certo, amanhã ele pode estar batendo em um cidadão de bem (que pode ser você), e achar que está certo. E aí?

Quem deve decidir se alguem é bandido ou não é um tribunal, dentro do rigor da lei. Ao policial cabe o papel de manter a ordem pública, de prender e levar para delegacia.

Vejam o que aconteceu entre um Juiz Federal e Policiais do CORE:
aqui nesse link

Pensamento

Janeiro 9, 2008

“O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos”

Marguerite Yourcenar

Reveillon!

Dezembro 27, 2007

Natal é um saco! Um monte de protocolo chato pra seguir, um sentido religioso que pra mim não faz sentido algum e obrigações, obrigações e mais obrigações.

Mas logo depois vem o Reveillon!!! Reveillon combina com festa, com música alta, com promessas (que nunca serão cumpridas), com riso, com choro, com reflexões, com banho de mar, com um sentimento de renovação, com coisas novas, com gente nova. Ano novo é FODA!

E vamos que vamos.

Manowar, Courage

Dezembro 12, 2007

Música bacana!

Sobre quando desistir

Novembro 1, 2007

Nem tudo precisa ser salvo.  Mas às vezes não é fácil saber quando desistir.